
O Vínculo Afetivo como Motor da Aprendizagem
janeiro 5, 2026
O Impacto das Telas no Controle Inibitório e no Foco Infantil
janeiro 6, 2026Olá, sou Teresinha Lira, sua neuropsicopedagoga, e hoje quero conversar com você sobre como o uso excessivo de telas tem impactado o controle inibitório das nossas crianças. No consultório, percebo que muitos pequenos apresentam uma dificuldade crescente em frear impulsos e manter a atenção em atividades de baixo estímulo. Esse fenômeno ocorre porque o cérebro em desenvolvimento é bombardeado por recompensas rápidas do mundo digital, o que acaba por desregular o sistema de gratificação e prejudicar a autorregulação.
Russell Barkley, um dos maiores nomes no estudo das funções executivas, define o controle inibitório como a capacidade de suprimir uma resposta motora ou emocional para alcançar um objetivo maior. Quando a criança passa horas em dispositivos eletrônicos, ela treina o cérebro para reagir apenas a estímulos intensos, rápidos e mutáveis. Como resultado, o córtex pré-frontal, responsável por “pisar no freio”, torna-se menos eficiente, dificultando a concentração necessária para a leitura, a escrita ou a espera de uma vez em um jogo.
A neuropsicopedagogia alerta que essa exposição precoce e sem mediação altera a neuroplasticidade, moldando conexões que priorizam o prazer imediato em detrimento do esforço cognitivo sustentado. Durante as sessões de intervenção, trabalho para “reeducar” esse olhar, trocando o brilho das telas por materiais concretos que exigem paciência, planejamento e sequenciamento lógico. É fundamental entender que o tédio, longe de ser um problema, é um espaço necessário para que a criatividade e o controle interno comecem a florescer.
É papel da família e dos profissionais estabelecerem limites claros e oferecerem alternativas que estimulem o desenvolvimento motor e sensorial pleno. Ao reduzir o tempo de tela, permitimos que a criança desenvolva a capacidade de filtrar distrações e focar no que realmente importa para a sua evolução acadêmica e social. A mediação neuropsicopedagógica entra justamente aqui, criando estratégias personalizadas para fortalecer a musculatura cognitiva que as telas, infelizmente, deixam em repouso por tempo demais.
Você já percebeu alguma mudança no comportamento ou no nível de irritabilidade do seu filho após longos períodos no tablet ou celular? Convido você a refletir sobre como podemos equilibrar o uso da tecnologia com o desenvolvimento saudável das funções executivas no dia a dia. Compartilhe este post com outros pais e me conte nos comentários como tem sido o gerenciamento das telas aí na sua casa. Na próxima postagem, falaremos sobre como a memória de trabalho influencia diretamente na alfabetização das crianças.

